
O
Natal desperta em todos nós sentimentos que deveriam ser
timbrados em nosso coração por toda a vida. Sentimentos como
paz, solidariedade, perdão, amizade e compromisso de amor para
com o próximo. E estes sentimentos deveriam permear a vida de
todos aqueles que são cristãos e desejam seguir o exemplo de
Cristo.
No Natal de 1917 algo tremendamente inusitado ocorreu durante
a Primeira Guerra Mundial, fruto do poder que o natal exerce
sobre todos os homens. Na França, exércitos de milhões de
soldados enfrentavam-se uns aos outros em desesperados
ataques. Alemães e os aliados numa luta sangüissedenta viviam
em frias e lamacentas trincheiras no solo, em linhas
paralelas, com centenas de metros de arame farpado, e uma
faixa de “terra de ninguém” entre
eles.
Cada
lado golpeava o outro com milhões de quilos de bombas e gases
letais. Milhares de homens já tinham sido mortos nos primeiros
dias de dezembro e outras dezenas de milhares tinham sido
feridos. A dor daqueles homens era indescritível. Mas ao
descerem as sombras da noite de Natal, a sua dor tornara-se
insuportável. Os homens pensaram com saudade no Natal em seu
lar. E essa saudade os fez odiar ainda mais a horrível e
insana guerra que se travava. Todas as noites, ao silenciarem
os canhões, os homens procuravam uma razão e um sentido no
meio de toda aquela ignominiosa carnificina, mas na noite de natal
Ela se tornava absolutamente odiosa e
detestável.
Repentinamente,
às 10h e 30 minutos da noite, a artilharia alemã parou de
atirar. Os soldados aliados entreolhavam-se e perguntavam-se o
que estaria acontecendo. O que os alemães estariam aprontando
agora? Estariam se preparando para usar gases venenosos de
novo, ou esse intervalo seria antes do ataque
maciço?
Não muito
tempo depois, os canhões dos aliados, na retaguarda, ficaram
em silêncio também. Os soldados, nas trincheiras, aguardaram
ansiosamente em meio à estranha calmaria que se abateu sobre a
frente de batalha. Isso era tão estranho, após o grande ruído
da artilharia, que os soldados falavam
cochichando.
Então
chegaram as incríveis notícias: o alto comando alemão havia
solicitado uma trégua para o Natal! Quando faltavam dez
minutos para a meia-noite, os clarins soaram o toque de cessar
fogo. A trégua era oficial! De ambos os lados fogueiras
iluminaram a escura noite. Os aliados viram então os soldados
alemães saírem de suas trincheiras sem quaisquer armas.
Pararam junto aos montões de barro e tiraram seus capacetes.
Daí alguém começou a cantar “Noite de paz, noite de
amor.”
Pasmados
os soldados aliados, aos poucos saiam também de suas
trincheiras e uniam suas vozes no maravilhoso hino de Natal.
Antes de terminarem, engenheiros de todos os lados estavam
abrindo caminho no arame farpado . Momentos depois, soldados
que haviam sido inimigos passaram através dos rombos abertos
no arame. De mãos estendidas eles se cumprimentaram como se
fossem amigos que há muito tempo não se viam. Intérpretes
ajudavam-nos quando possível, mas as diferenças lingüísticas
não pareciam ter importância. Alegremente mostravam
fotografias de familiares. Experimentavam os chapéus e capas
uns dos outros, e riam de sua aparência. Então alguém sugeriu
que deveriam dar presentes
também.
E, assim, eles voltam apressadamente às trincheiras a fim de
ver o que encontrariam. Os aliados trazem latas de doces e
carne, e os alemães lhes dão salsichas e outros
alimentos.
Os
capelães dos dois lados improvisaram um serviço religioso. E
os soldados alemães e aliados celebraram juntos a Ceia do
Senhor. Então, deram-se as mãos e cantaram: “Benditos, os
laços serão os do fraterno do amor...”. Ninguém quis
dormir naquela noite. A feliz comunhão continuou após romper
do dia e durante quase toda a manhã. Um pouco antes do
meio-dia começou a cair neve, e os homens tiveram de
abrigar-se em suas trincheiras. Momentos depois a artilharia
se mobilizou para a ação, e o terrível morticínio começou
outra vez.
Mas a
trégua não dura muito! Apenas doze horas de paz em quatro anos
de ações beligerantes e de derramamento de sangue. Mas, que
serviram para trazer uma nesga visão do poder que Jesus tem
para transformar o coração do homem.
Vivemos
num mundo onde a violência faz parte das cidades grandes, das
cidades pequenas, das grandes famílias e das pequenas
famílias. Na verdade, vivemos numa sociedade em guerra e não
há muito tempo para pensar nos semelhantes. E qual a razão? O
homem sempre foi, e sempre será, um ser habitado pelo pecado.
E o pecado é conflito, é guerra: guerra com Deus, guerra
consigo e guerra com o seu próximo. Mas o Cristo do Natal veio
ao mundo para trazer a salvação para a humanidade perdida. E é
pelo Seu poder que temos o nosso coração transformado. E quando Cristo
transforma e habita no coração, o verdadeiro significado do
Natal estará presente não somente no dia 25 de dezembro, mas
para toda vida. E isto fará a grande
diferença.
Vamos
deixar o Natal viver diariamente em nosso coração. E como na
história do Natal de 1917, vamos deixar que o Príncipe da Paz,
nos dê o vislumbre do céu aqui na terra. Que o Jesus do Natal
possa fazer parte de nossa vida. E Sua estrela possa brilhar
em nós assim como brilhou a estrela em Belém. E que tenhamos a
segurança de cantar em todos os dias “noite de paz, noite
de amor, tudo é paz em derredor”.
Que Deus nos
abençoe.